segunda-feira, 4 de maio de 2015
domingo, 3 de maio de 2015
CANTIGA DE MALAZARTE
(Murilo Mendes)
Eu sou o olhar que penetra nas camadas do mundo,
ando debaixo da pele e sacudo os sonhos.
Não desprezo nada que tenha visto,
todas as coisas se gravam pra sempre na minha cachola.
Toco nas flores, nas almas, nos sons, nos movimentos,
destelho as casas penduradas na terra,
tiro os cheiros dos corpos das meninas sonhando.
Desloco as consciências,
a rua estala com os meus passos,
e ando nos quatro cantos da vida.
Consolo o herói vagabundo, glorifico o soldado vencido,
não posso amar ninguém porque sou o amor,
tenho me surpreendido a cumprimentar os gatos
e a pedir desculpas ao mendigo.
Sou o espírito que assiste à Criação
e que bole em todas as almas que encontra.
Múltiplo, desarticulado, longe como o diabo.
Nada me fixa nos caminhos do mundo.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
HOJE
Hoje
lembrei da
música
que a noite
muitas vezes
cantou
para ouvidos
distantes
Na cadência
desse som
sonhos se
multiplicavam
como se tudo
fosse eterno
No escuro
braços
estendidos
chamavam
por outros
braços
O eco da noite
gritava mais
alto
e a música
exalava
o perfume da falta de
um abraço
Essas noites
eram lindas
e essa
lembrança
me trás de
volta
para tantas
outras lembranças.
darcy msilva [30 mar. 2011- direitos reservados à autora]
Assinar:
Postagens (Atom)